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O mercado de trabalho no Brasil melhorou nestes primeiros seis meses em relação a 2018, porém o número de desempregados ainda é grande, cerca de 12,8 milhões de pessoas. Outros dois pontos de destaque são o número de trabalhadores subutilizados (28,4 milhões), que trabalham menos de 40 horas semanais, e aqueles que atuam por conta própria (24,1 milhões).

É preciso ler com atenção os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último dia 31, pois eles confirmam as projeções a respeito do futuro do emprego no Brasil e no mundo. Apesar do otimismo com o leve suspiro na formalização do trabalho (carteira assinada), estou certo de que esse emprego como conhecemos está com os dias contados.

Com a mecanização da produção na Revolução Industrial, entre 1760 e 1820, houve uma reformulação na relação entre trabalho e emprego. Essa mudança repercutiu na ordem econômica, política e social da época. Podemos afirmar que a revolução marcou o início do capitalismo industrial, o crescimento da produção em massa e o aparecimento de novas populações urbanas.

Ao longo dos últimos 200 anos, o processo produtivo foi sendo aperfeiçoado e agora mais recentemente, com o advento da internet e das novas tecnologias, estamos vivendo a 4ª Revolução Industrial – e provavelmente a mais impactante de todas. O professor Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial e com quem tive o prazer de ter estado diversas vezes, e tido como o precursor deste novo momento da história, afirmou:

“A 4ª Revolução Industrial não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes entre si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital. Ela transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos” – Klaus Schwab.

Estamos falando de fábricas cada vez mais inteligentes, e autônomas, que reduzirão drasticamente o emprego industrial e outras funções que podem ser facilmente substituídas por robôs. A grande questão que precisa ser enfrentada por governos de todos os países é: o que fazer com as pessoas que não estão preparadas para trabalhar neste novo mundo? A resposta da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é: capacitação.

Além de capacitar os trabalhadores atuais, é essencial que as crianças tenham contato, já na fase escolar inicial, com o empreendedorismo de base tecnológica, que enxerguem e experimentem o mundo digital e que pensem com a cabeça do novo milênio. O formato tradicional de educação já não corresponde mais às exigências do mercado de trabalho. Aliás, há algum tempo.

Outro ponto fundamental, e que o Brasil começou a enfrentar, são as reformas estruturantes para facilitar a vida de quem quer empreender. Nosso país não é nada convidativo àqueles que pretendem gerar negócios, sobretudo em tecnologia. Se o governo não se atentar para isso e não agir a contento, o número de desempregados vai subir significativamente, apesar da falsa sensação de refresco.

Você está pronto para o novo mundo dos robôs, da inteligência artificial, da nanotecnologia, da biotecnologia?

Marcos Pereira
Presidente Nacional do PRB/Republicanos
Vice-Presidente da Câmara dos Deputados

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