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Não há ambiente mais cruel para uma criança ou um adolescente que uma sala de aula. Minha afirmação parece paradoxal, mas não é. As crianças e adolescentes, apesar da pouca idade e maturidade, são capazes de serem hostis com seus pares, em crescentes níveis de crueldade. Quem é alvo de bullying nem sempre tem coragem de pedir ajuda, nem mesmo dos pais. É aí que está o perigo. O incômodo com as brincadeiras ofensivas pode evoluir para uma depressão e até mesmo para o suicídio.

Vencer o bullying não é fácil, exige orientação familiar e até profissional. Acima de tudo, é preciso compreensão e respeito. O diálogo é fundamental para entender em que circunstância a criança se sente fragilizada e ofendida. Isso, sobretudo, é tarefa dos pais e responsáveis. Às instituições de ensino, cabe a tarefa de reprimir qualquer atitude que enseje o bullying.

Desde novembro de 2015, o Brasil conta com uma legislação de combate à intimidação sistemática, mas ainda existem escolas que, lamentavelmente, não se preocupam com o bem-estar dos seus alunos e banalizam o problema.

Há alguns dias, uma escola particular em Cuiabá (MT) foi destaque nos noticiários porque foi condenada pela Justiça a pagar R$ 16 mil à família de uma aluna que passou a ter problemas de gagueira, por conta das ofensas que sofreu dos colegas devido ao seu biotipo. As ofensas saíram do ambiente escolar e foram parar nas redes sociais. A escola recorreu da sentença, alegando que a jovem nunca reclamou do bullying, mas a Justiça manteve a decisão.

Como presidente da Frente Parlamentar Contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, sei bem que algumas crianças preferem não levar aos pais ou responsáveis os problemas pelos quais estão passando, por vergonha ou medo de como vão reagir. Quando os pais percebem a gravidade do problema, em muitos casos, já é tarde. Assim como o abuso sexual, o bullying é uma violência silenciosa que causa sequelas psicológicas na vida pessoa. Por isso, eu insisto que o diálogo é o melhor meio de enfrentamento.

Um relatório da ONU, baseado em uma pesquisa feita com 100 mil jovens, apontou que no Brasil, 43% disseram ter sofrido bullying. Em países vizinhos, como Chile, Colômbia e Uruguai, esse percentual é menor.

Segundo dados do 10° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, baseado em uma pesquisa feita pelo IBGE com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, São Paulo é o estado que possui o maior número de casos de bullying. Conforme o levantamento, 44,8% dos estudantes afirmam sofrido bullying ‘às vezes’ ou ‘raramente’, enquanto que 9% disseram conviver com o bullying na maior parte do tempo ou sempre.

O problema é pior na rede pública de ensino, onde 54,4% dos alunos disseram já ter sido vítimas de bullying, enquanto que nas escolas privadas, a taxa chega a 50,5%. Em contrapartida, a pesquisa revelou que São Paulo é o estado com o maior número de estudantes que admitiram ter praticado bullying contra seus colegas, pouco mais de 24%.

Está em vigor a Lei 13.185/2015, que institui o ‘Programa de Combate à Intimidação Sistemática’, que obriga a União, os estados e municípios, por meio de suas pastas de educação, esportes e social, a promoverem campanhas de conscientização e ações de combate ao bullying.

A lei é primordial, mas é dever dos pais e responsáveis estarem atentos a qualquer mudança de comportamento dos filhos. Essa tarefa pode contar com a ajuda de professores, pedagogos e psicólogos. Assim como é dever nosso orientá-los para que não sejam atingidos psicologicamente pelas ofensas verbais e nas redes sociais, também é obrigação nossa reprimir qualquer atitude nociva que os jovens estejam cometendo contra os colegas, dentro ou fora da escola.

*Roberto Alves é deputado federal pelo PRB São Paulo

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