CARLINDA-55
Carlinda: “Juntas somos mais fortes”

Está claro na sociedade que, todos os dias, mulheres sofrem violência doméstica e familiar. Os números não mentem. A cada dois segundos, uma mulher é vítima no Brasil. É isso mesmo. Sem contar aquelas que não registram os ataques e abusos. O silêncio continua abafando um sentimento de dor.

Após o término de um relacionamento, um namoro desenfreado, amizades que pareciam por toda a vida… as diferenças não se alinham. Discussões, palavras ofensivas, descontrole chegando ao extremo… agressão. Marcas negativas, palavras mal colocadas que geram mágoa. Cenas que muitas vezes têm como desfecho o “feminicídio”.

Por que a mulher fica presa a um relacionamento descontrolado e não se livra dele? Vergonha, falta de recursos, sentimento de culpa – que não é dela, mas que foi colocada e ela carrega dentro de si. Elas ficam psicologicamente afetadas pelo sentimento de raiva e vingança.

Há leis protetivas, como a de distância mínima de até 500 metros entre o agressor e a vítima. Mas essa legislação não tem sido o suficiente para proteger as mulheres. E, assim, elas vão ficando presas a um suposto relacionamento. Quando pensam em sair, são ameaçadas. Muitas vezes, até pela própria família.

A sensação é de estar sozinha. De não ter apoio. De não ter a quem recorrer. Mas quão bom é saber que somos participantes de uma criação única. Cada uma de nós tem uma identidade própria para ser cuidada e merecemos essa atenção.

É preciso despertar e valorizar a nossa própria existência. Devemos romper aos centros de proteção e anunciar com justiça impedindo que a violência apague o bem de todas. É fácil? Não, mas com o apoio certo é possível. Vamos buscar nossos direitos e, assim, viver livre para melhorar nossas escolhas e nunca mais passar pelo sofrimento da violência.

É vítima ou conhece uma mulher vítima de violência? Disque 180. O número é da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. Não se cale. Denuncie. Juntas somos mais fortes.

 

 

*Carlinda Tinôco é vice-coordenadora do PRB Mulher em São Paulo;

durante sete anos atuou como coordenadora nacional do RAABE;

projeto criado para valorizar e dar assistência às mulheres vítimas de

violência doméstica e abuso; é escritora com três livros publicados;

esposa, mãe e dedicada às causas sociais